BIM - BUILDING INFORMATION MODELLING

Atualizado: 8 de dez. de 2021

Building Information Modelling (Modelo de informação para a construção), é a forma revolucionária de como os edifícios são projetados, construídos e conservados. Com este guia poderá explorar o que é BIM, como funciona e porque os fabricantes e designers gostam tanto.


BIM: A revolução digital na indústria da construção

A transição para o uso deste modelo de informação para a construção (BIM), começou a ganhar "adeptos" há mais de 10 anos. O crescimento até então foi tão rápido que hoje existem milhões de usuários BIM em todo o mundo. Mas o que motivou a deixar os adorados desenhos e abraçar a tecnologia BIM?


Desde o início de 1990, o design de construção começou gradualmente a evoluir de projetos desenhados em papel para projetos desenhados em computador (CAD). O Computador tornou-se assim o novo standard que agilizou a gestão do desenho e melhorou a visualização de todo o projeto.


Contudo, esses desenhos ainda eram apenas representações visuais, o que dificultava a colaboração e partilha de informação do projeto de construção. A invenção e o início da utilização de ficheiros BIM preencheu esse vazio e impulsionou a indústria da construção para a Era da Informação.


O que é BIM na construção

Arquitetos e engenheiros de construção civil usam BIM par criar modelos 3D de um edíficio completo e mobilado - Usando software como o Revit (AutoDesk), MicroStation (Benley), assim como GraphisoftArchicad, Allplan e Vectorworks (NemetschekGroup). Mas BIM não é uma ferramenta de design nem visualização. Este modelo está disponível para todos; desde designers de um edifício até uma empresa de construção, e ainda dos gestores e proprietários de um imóvel.

Estes modelos podem ainda conter informação relacionada com o ciclo de vida do edifício e os requerimentos para a sua manutenção. Informação como o tempo de planeamento (4D), custos estimados (5D) e sustentabilidade (7D), que trazem dimensões adicionais aos modelos BIM.


“BIM está para a construção como o HTML está para a internet.”Phil Bernstein, SeniorLecturer Yale SchoolofArchitecture


O valor do conteúdo BIM

Trabalhar com BIM requere que todos os elementos do edifício estejam disponíveis em formato digital (também chamado conteúdo BIM). A maioria do conteúdo BIM consiste em modelos genéricos de portas, janelas, casas-de-banho, iluminarias, etc., no entanto, este conteúdo simplesmente substitui os desenhos bidimensionais mais antigos, sem agregar qualquer valor no processo de construção.

Existe uma necessidade crescente de conteúdo BIM específico do fabricante. Tal, não representa apenas as propriedades físicas dos produtos, mas também inclui outros dados essenciais, tais como, informações do produto, instruções de instalação, consumos de energia, rótulos ecológicos, custos operacionais e durabilidade do produto.


BIM passou de futuro para se tornar realidade para quem está entrando no mercado da construção. Mas você sabe de verdade o que significa BIM?

Podemos dizer já que se passaram os anos em que saber BIM era uma escolha para os profissionais de engenharia e arquitetura. Desde 2021, o uso da metodologia passou a ser obrigatório em obras públicas no Brasil e, com isso, acelerar ainda mais a adoção do BIM no mercado.

Mas, afinal, a metodologia BIM é um software? É uma evolução do AutoCad? Por que ele está sendo tão falado ao redor do mundo? É justamente para desmistificar alguns mitos e descomplicar esse conceito, que decidimos criar esse post de estreia aqui no Engenharia 360.

Modelo BIM – construção virtual | Fonte: Wikimedia Commons


O que é BIM?Definições mais amplas:

Para trazer primeiramente uma definição oficial sobre a sigla, podemos pegar a que está registrada em um dos primeiros documentos governamentais sobre o tema. É o caderno BIM, da Secretária de Estado do Planejamento de Santa Catarina, que inclusive traz 2 definições possíveis:

  1. Building Information Modeling (caráter verbal), que seria uma metodologia que cria um processo para a gestão da informação, desde a concepção até a gestão da edificação pronta.

  2. Building Information Models (caráter de substantivo), seriam os modelos (projetos) digitais, 3D e ricos de informação (não se limitando a representações espaciais de elementos) e que consistem na base do processo BIM.


“BIM é uma série de processos, métodos, softwares e tecnologias usados para melhorar a comunicação e a cooperação durante as fases de um empreendimento, desde a concepção arquitetônica até a manutenção do edifício. O modelo no caso, simplificando a ideia, se trata de uma versão digital completa da construção. ”

BIM na Prática


Entendendo BIM com exemplos

Seguindo os conceitos apresentados, Building Information Modeling seria o conceito mais amplo de BIM. Pois ele seria uma soma de processo, métodos e softwares utilizados em toda jornada de um empreendimento, da concepção até sua eventual desativação.

Dessa forma, inserimos um volume de informações gigantesco nos projetos, que antes eram somente linhas e hachuras, respeitando processos construtivos e se adaptando de acordo com o momento do empreendimento.

Assim, um mesmo modelo pode ser usado para diferentes finalidades, na medida que ele avança no volume de informações e detalhamento:

  1. Estudos de viabilidade;

  2. Estudos de eficiência energética;

  3. Simulação de custos (orçamentação);

  4. Simulação de prazo (planejamento);

  5. Extração de quantitativos para diferentes cenários de construção;

  6. Estudo de projetos de engenharia;

  7. Detecção de interferências de projeto;

  8. Colaboração entre equipes multidisciplinares;

  9. Acompanhamento durante a execução da obra;

  10. Criação de modelos em realidade aumentada;

  11. Manutenção pós obra;

  12. E muitas outras finalidades.

Tendo em vista tantas frentes de trabalho em cima de um mesmo modelo, sendo atualizado e recebendo informações de diferentes profissionais, como gerir isso? Explicaremos em outros conteúdos mais para frente sobre essa dinâmica de trabalho.

Mas o que é crucial introduzir logo de início, para entender esse processo de construção e manipulação da informação, é o conceito da interoperabilidade BIM. Ou seja, diferentes pessoas (e softwares) enriquecem o modelo de informação e utilizam a informação dos outros.

Esse fluxo de trabalho também muda a forma de colaboração entre os envolvidos em uma obra. A gestão de um projeto passa a ser muito mais colaborativa entre arquitetos, projetistas complementares, orçamentistas, engenheiros de obra e demais envolvidos.

Portanto, conhecimentos de obra e habilidades pessoais serão cada vez mais importantes para os profissionais da nova indústria da construção. Além disso, abre-se uma grande oportunidade de mercado da para práticas de qualidade em gestão de projetos, ainda pouco explorado pelo setor.

Para esclarecer então: BIM não é igual a Revit

Uma vez entendido que o conceito BIM como substantivo se refere unicamente ao modelo BIM, construí-lo é somente uma etapa de todas que a metodologia abre com suas informações inseridas no modelo.

E para esta etapa específica de modelagem, existem vários softwares que permitem a construção e manipulação destes modelos. O Revit é somente um deles, porém existem diversos outros, como:

  1. Archicad, da Graphisoft (Hungria), muito famoso na Europa e EUA;

  2. Edificius, da ACCA (Itália), bem disseminado na Europa e vencedor de prêmios como melhor software OpenBIM do mundo;

  3. QiBuilder, da AltoQI (Brasil, que vem buscando adaptar seu portfólio de soluções a metodologia.

E além de softwares distintos, é importante frisar que existem também metodologias ou estratégias de modelagem diferentes. Cada uma feita para potencializar a aplicação desejada do modelo (estudo preliminar, orçar, etc) em menos tempo.

Por isso, fique atento, já que existe uma profusão de cursos online que prometem tornar você um especialista em BIM, porém estão somente ensinando você a usar uma ferramenta e para uma finalidade.

A construção digital da edificação

Trazendo de uma forma ainda mais clara, uma boa analogia para explicar o processo BIM é dizer que estamos construindo virtualmente o prédio inteiro no computador antes de ser mexida a primeira pá de terra no terreno.

Assim como ocorre na prática, todas as disciplinas de projeto ficam integradas e “sobrepostas”. Dessa forma, conseguimos uma boa visualização de problemas com antecedência, para discutir soluções de projeto entre os especialistas.

Assim podemos, aos poucos, acabar com a cultura do “isso eles resolvem na obra”. Resolvendo de forma antecipada, reduz custos, otimiza o tempo de execução e garante a melhor decisão técnica para os problemas.

Isso tudo pois, agora, ao invés de representarmos objetos construtivos como linhas, eles se tornam geometrias tridimensionais com informações atreladas a eles. O software de modelagem entende elas como uma janela, uma parede de alvenaria, um bloco estrutural e assim por diante.

E na esfera das informações, é possível inserir o custo de um bloco representado, sua condutividade térmica, seu isolamento acústico e diversas outras informações. Assim, é possível criar simulações no modelo, para gerar análises que antes não eram possíveis no Cad.

Edificações inteligentes

Dando alguns passos à frente das possibilidades iniciais do BIM, é interessante trazer uma analogia que já citamos em nosso blog:

  • Pense no carro como um paralelo de uma obra, mesmo os carros mais antigos possuem indicadores que mostram os níveis de combustível e velocímetro.

  • Mas os carros mais modernos já indicam os níveis de fluido de óleo, freio, pressões de pneus, consumo em tempo real e funcionamento de peças mecânicas do motor também.

  • Nota-se que mesmo que o usuário não tenha conhecimentos de mecânica, ele saberá operar e realizar as manutenções do carro baseado nos apontamentos feitos pelo sistema.

Analogamente, o mesmo serviria para uma construção inteligente (saiba mais sobre elas aqui). Em um futuro com o BIM disseminado e avançado, será possível:

  1. Os brises aberturas se adequassem às suas necessidades de luz e energia em um determinado momento do dia automaticamente;

  2. O sistema de elevadores informasse quando uma manutenção é necessária;

  3. Os extintores de incêndio alertassem sobre seus próprios prazos de validade;

  4. Os geradores informarem sobre sua queda de desempenho frente ao consumo de energia das máquinas de refrigeração;

  5. Leitores de temperatura trazerem dados para avaliar a queda de isolamento térmico dos materiais, na medida que envelhecem.

Na prática, essas opções “futuristas” já são possíveis, porém ainda pouco disseminadas e com isso com preço elevado. Mas com a metodologia BIM e seus bancos de dados evoluindo, em poucos anos isso pode se tornar realidade comum no Brasil. Já pensou puxar esse mercado?

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